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A primeira vez de Patty Diphusa

Patty Cover

Tirem as crianças da sala. E se você é criança, cuidado com os adultos aí por perto.  Aqui, uma fotonovela de Pedro Almodóvar.

Patty Diphusa é uma moça de família. Da mesma família das mulheres dos filmes de Warhol-Morrisey, da Divina de John Waters e da Lorelei Lee de Anita Loos – Almodóvar diz que Patty é prima de todas essas.

A Divina
A Divina
Candy Darling e Andy Warhol
Candy Darling e Andy Warhol
Lorelei Lee
Lorelei Lee

Patty Diphusa foi o pseudônimo usado por Pedro Almodóvar para escrever suas histórias na revista La Luna entre 1983 e 1984, uma das publicações mais importantes da Movida espanhola. Almodóvar :

Texto1
Do livro All About Almodóvar: A Passion for Cinema

O nome é uma brincadeira com a palavra espanhola patidifusa, que quer dizer assombrada, atônita. Se isso ajuda na compreensão da personagem não sei, mas provavelmente vai melhorar seu espanhol. O meu melhorou. Até deu vontade de ir a Barcelona e dizer “estoy patidifuso”.

Mas antes de aparecer em La Luna, Patty Dyphusa apareceu pela primeira vez em uma fotonovela, publicada na revista El Víbora em 1982, outra revista que se destacou durante a Movida. No papel de Patty, Fabio McNamara, a rainha da Movida. E que época para estar em Madri. Você poderia ir ao Rock Ola e ver New Order, Siouxsie and the Banshees, Cramps, Iggy Pop e quem sabe, a banda de Pedro Almodóvar e Fabio McNamara.

De certa forma, foi uma fotonovela que fez Almodóvar entrar para o cinema, Erecciones Generales (Ereções Gerais), uma paródia das eleições gerais na Espanha em 1977, publicada por Pedro Almodóvar na mesma revista Víbora em 1978. Carmen Maura, com quem Pedro Almodóvar havia trabalhado no grupo de teatro Los Goliardos, gostou da fotonovela e sugeriu a Pedro que fizesse um filme. Carmen ajudou a conseguir recursos e Pedro fez seu primeiro longa-metragem, “Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón”.

Patty incorpora alguns temas que serão tratados por Almódovar em seus próximos filmes, como a precariedade da definição de gêneros e a Madri pós-Franco como veículo para a expressão de indivíduos até então marginalizados (Martin D’Lugo – Pedro Almodóvar and his cinema p. 29).

Almodóvar parou com as histórias de Patty para se dedicar ao filme Kika, em 1993. :

Do livro All About Almódovar.

Antes de ver a fotonovela, o contexto.

Em 1982 ainda vigorava na Espanha a “Ley sobre peligrosidad y rehabilitación social” e homossexualidade, que já fora considerada crime pela mesma lei, ainda era considerada um “perigo social”.

Era comum a visão entre médicos espanhóis de que “entre as causas do homossexualismo estava a a decepção masculina causada pela degradação da mulher espanhola” (em uma entrevista ao jornal Cineinforme em 1980, Almodóvar disse que a “traição feminina” é um tema que lhe interessa).

No mesmo ano, Almodóvar lançou “Laberinto de Pasiones”, que contem uma cena de uma fotonovela, com Fabio McNamara e dirigida por Almodóvar. O que se considera “normal” ou “perverso” é outro tema de que Almodóvar trata nesse filme.

 

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