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Blue Christmas

A canção de Natal favorita de Elvis. E a única gravada por Lou Reed.

Se você for ao google e digitar “Blue Christmas”, o preenchimento automático vai sugerir “Elvis Presley”.

A música é de 1948 e é tão do Elvis como ‘I Will Always Love You’ é da Whitney Houston, ‘Tainted Love’ do Soft Cell, ‘Superstition’ do Stevie Wonder, ‘Hey Joe’ do Jimi Hendrix, ‘Girls Just Wanna Have Fun’ da Cyndi Lauper, ‘Turn! Turn! Turn!’ dos Byrds, ‘I Fought The Law’ do Clash,  ‘Respect’ da Aretha Franklin, “It’s oh So Quiet” da Björk, ‘Goo Goo Muck” do Cramps e ‘Blowin’ in the Wind’ é do Bob Dylan.

Elvis gravou ‘Blue Christmas’ para um álbum de Natal  em 1957, fez tanto sucesso que a música se tornou sua.

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Depois de Elvis, a música ficou pop. No youtube você vai achar versões dos Beach Boys, Misfits, Andrea Bocelli (essa até como ‘tributo a Elvis’), Bon Jovi, Johnny Cash, Dean Martin, Celine Dion, Porky Pig (do desenho do Pernalonga) …

As versões de que mais gosto são a do Bruce Springsteen e a do Brian Setzer.
Essa é a versão do Elvis.

As imagens são do histórico ‘show da volta’ de 1968. Isso porque fazia 7 anos que Elvis não se apresentava ao vivo. O Coronel Parker o enviara para fazer uma desastrada carreira em Hollywood, que resultou em filmes horrorosos como ‘No Paraíso do Havaí’ e ‘Viva Las Vegas’, que deixaram Elvis inseguro e infeliz.

Pra não arriscar, a idéia original do show era apenas um especial com músicas de Natal, gravadas em estúdio e sem público. Foi o produtor Steve Binder quem observou Elvis e os músicos improvisando Blues e Rock and Roll durante os intervalos de gravação e teve a idéia de mudar o repertório e adotar esse formato, absolutamente inovador.

E foi isso que fez com que Elvis concordasse em fazer a gravação ao vivo. E quem era Elvis Presley?

Essa é uma foto do autor de Mystery Train:

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Elvis é o cara branco ao lado de Junior Parker. Foi esse Elvis que desaparecera em 1961 e voltava em 1968.

Quem assistir ao show, verá que Elvis está completamente à vontade. Naked under leather. Em ‘Love me Tender’ ele faz uma brincadeira e troca “You have made my life complete” por “You have made my life a wreck”. Dizem que ele olhou pra Priscilla nessa hora, mas não consegui confirmar a informação.

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E essa é a versão do Lou Reed com Rufus Wainwright.

 


Que eu saiba, foi a única música de Natal que o Lou Reed gravou. Quer dizer, mais ou menos. Tem ‘Xmas in February’, que não é bem de Natal. Tem ‘All Through The Night’, uma ‘cançao de Natal miserável’.

E tem ‘Perfect Day”. Pelo menos pra BBC, que a usou em sua bela campanha do Natal de 1997.

A senhora no acordeão é Kate McGarrigle, mãe de Rufus. Ali também estão Anna McGarrigle e Martha Wainwright, tia e irmã de Rufus.

Pra estar em uma festa de Natal com a mãe e a tia, cantando com aqueles outros dois ali, esse Rufus deve ser um cara muito cool, o que me fez desenhar essa tirinha.

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Esse foi o último Natal de Kate McGarrigle, o que me lembra outra canção de Natal, ‘Have Yourself A Merry Little Christmas’, escrita por Hugh Martin para o maravilhoso ‘Meet me in St. Louis’ (‘Agora seremos felizes’). A cena clássica:

A letra que Judy Garland canta:

Have yourself a merry little Christmas /Let your heart be light
Next year all our troubles will be out of sight /Have yourself a merry little Christmas
Make the yuletide gay /Next year all our troubles will be miles away

Once again as in olden days /Happy golden days of yore
Faithful friends who are dear to us /Will be near to us once more

Someday soon we all will be together /If the fates allow
Until then we’ll have to muddle through somehow
So have yourself a merry little Christmas now

Mas o que Hugh Martin escrevera originalmente era bem diferente:

Have yourself a merry little Christmas /It may be your last
Next year we may all be living in the past

Have yourself a merry little Christmas /Pop that champagne cork
Next year we may all be living in New York

No good times like the olden days /Happy golden days of yore
Faithful friends who were dear to us
Will be near to us no more

But at least we all will be together/ If the Lord allows
From now on, we’ll have to muddle through somehow
So have yourself a merry little Christmas now

Vincent Minelli não gostou e Judy Garland se recusou a cantar essa versão, por achá-la muito deprê. Pode ser. Mas esse também é um lado do Natal, oras.

Acho que o Natal tem esse efeito sobre nós, de nos fazer lembrar. Lembrar até do que ainda está por vir. Marcar a passagem do tempo. Mais um Natal, menos um Natal. Melhor não pensar. Como dizem as duas versões da música, feliz Natal, agora.