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Como Jack Davis ajudou a salvar um filme de Robert Altman

E ontem se foi Jack Davis. Aqui uma história pouco conhecida.

Pra quem cresceu lendo a MAD nos anos 70, não sei nem como falar sobre Jack Davis. E tem muita gente melhor por aí escevendo sobre ele. Um pouco sobre ele e o cinema recomendo as páginas da Criterion:

https://www.criterion.com/current/posts/3033-working-with-jack-davis

https://www.criterion.com/current/posts/3031-jack-davis-s-new-mad-world-illustrations

O filme é The Long Goodbye, de 1973 e inspirado no livro homônimo de Raymond Chandler. Muita gente o considera entre os melhores de Altman. Dá pra falar muita coisa do filme, das inovações de Vilmos Zsigmond, etc. mas isso tem por aí.

O filme estreou em Los Angeles e tinha esses cartazes:

LongGoodbye_IntlLongGoodbye_Amsel

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora imagine um leitor de Chandler, passando em frente a um cinema na terra de Phlip Marlowe, vê um cartaz desses, diz “Caramba! O cara só tem dois amigos, um gato e um assassino?! Vou entrar!” e lá dentro se depara com essa cena:

JackDavis

 

 

 

 

 

Dizem que depois desse filme Phlip Marlowe nunca mais foi visto em um boteco de Los Angeles tomando o seu Gimlet. Já aquele fortão ali de cueca amarela foi visto como governador da California.

As recepções de crítica e público foram péssimas e não demorou muito pro Altman perceber que as expectativas estavam erradas. Em sua própria definição, o filme era uma farsa.
Pararam tudo, seis meses depois fizeram a reestreia do filme em Nova Iorque e os produtores chamaram Jack Davis pra fazer o novo pôster do filme:

LongGoodbye_Davis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Público e crítica foram muito melhores. Difícil dizer até que ponto Jack Davis foi responsável por isso, mas com certeza um pôster com um tom cômico ajudou.

Só uma observação importante. No balão da Nina Van Pallandt ela pergunta “como você quer que eu faça o papel?” e a resposta: “de memória”. Isso foi uma provocação de Jack Davis. Nina Van Pallandt vivia com Clifford Irving, que um ano antes havia publicado a “biografia” de Howard Hughes, uma das farsas mais famosas de que se tem notícia.

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Sobre o filme:

https://www.theguardian.com/film/2013/dec/22/the-long-goodbye-dvd

http://www.nytimes.com/2014/12/06/movies/robert-altmans-the-long-goodbye-is-popular-again.html