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O encontro de Woody Allen com Terry Gilliam

É o Fernando Pessoa? É o Groucho Marx? Não. É o Woody Allen em uma foto-novela produzida por Terry Gilliam.

Em 1960, 3 anos depois de deixar a revista Mad e de alguns fracassos comerciais, Harvey Kurtzman associou-se a James Warren e criaram a revista Help. Pela primeira vez Harvey Kurtzman tinha controle sobre uma publicação. Controle em parte, financeiramente as coisas sempre foram difíceis. Ainda assim, com a colaboração de amigos como Will Eisner, Jerry Lewis e publicando alguns talentos então desconhecidos, a revista durou 6 anos. Para dar uma ideia do que foi a Help, foi a primeira revista a publicar Robert Crumb.

A primeira a ser contratada pela revista foi a jornalista e ativista Gloria Steinem. Terry Gilliam veio depois como editor-assistente e era o responsável por produzir as fumettis, as nossas foto-novelas. Escolhia os locais, participava das fotografias e da edição e era ele quem ia aos teatros no Village em busca de personagens para o elenco. E foi em uma dessas que ele trouxe Woody Allen pra colaborar em uma fumetti, um jovem comediante mas que já mostrava seu humor fino e aguçado:
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A celebridade desta fumetti era Judy Henske. Para quem não a conhece, é uma compositora e cantora incríveis, já fora chamada de “musa dos beatniks” e em 1969 gravou o ótimo Farewell Aldebaran pelo selo Straight Records de Frank Zappa. Judy Henske veio de Chippewa Falls, sabem quem mais era cantora e também veio de Chippewa Falls? Annie Hall, a “noiva nervosa” do filme de Woody Allen. Judy Henske e Woody Allen eram namorados, tinham um tipo de humor semelhante e chegaram a dividir os palcos no Village.

Essa foto-novela publicada em outubro de 1963 você vê em primeira-mão aqui no Garapa Diet. Na verdade achei as histórias que o Gilliam conta sobre a produção mais engraçadas do que a foto-novela. Por exemplo, os problemas com a polícia por conta de uma lei em Nova Iorque que proíbe que se agite uma metralhadora em público (fica a dica, comprar metralhadora pode, só não vá sair por aí mostrando-a para todo mundo).
Mas essas foto-novelas têm outra importância fundamental. Foi em outra dessas que Terry Gilliam e John Cleese se conheceram. Sem esse encontro provavelmente não existiria o Monty Python. Além disso, de acordo com Gilliam, foram essas foto-novelas a sua porta de entrada para o cinema.

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